sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Silêncio!




Imóvel, tento ouvir o meu silêncio interior.
Um minuto.
Dois minutos.
Três minutos.
Uma eternidade.....
Ele, o silêncio fica lá.
Sombrio.
Parado.
Calado.
E no final das contas descubro o óbvio.
Não há nada a ser dito.

Luciana Barbosa.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Dia chuvoso...então que venha Clarice!

"Eu escrevo como se fosse para salvar a vida de alguém. Provavelmente a minha própria vida."

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Detalhes.



Amo viver e amo, acredite, por causa dos detalhes.
Deixe-me explicar. Tento sempre andar de cabeça erguida pra não perder o espetáculo que me cerca todos os dias, e olha que são muitos.
Um exemplo é a infinidade de cores, de flores, de rostos e formas que nos deparamos todos os dias. Agora mesmo, vi um senhor de uns oitenta anos, beijando a mão de sua amada com o olhar mais apaixonado do mundo e pude assistir a cumplicidade de tantos anos em apenas um momento, com apenas um gesto.
Amo quando vejo o detalhe da gentileza, da boa educação, do amor dedicado, da amizade sincera.
Detalhes queridos, assim como o cheiro da casa limpa, da roupa lavada, do filho amado, do amor feito e aquele maravilhoso cheiro de mar. Sim, porque apesar da grandeza do mar, de sua riqueza, guardamos na lembrança os detalhes como, cheiro, cores e o barulho das ondas indo e vindo.
Você deve estar se perguntando onde quero chegar com toda essa história. Simples!
Há dias que gostaria de acordar em outro lugar, com outro nome, outro emprego. Só não mudaria o companheiro que tenho, porque este, tenho certeza, carrego de outras vidas.
Acredito que todos, em algum momento, também tem essa vontade de mudar tudo e que há vida por vezes se torna por deveras enfadonha.
Então, quando o coração apertar e você quiser mudar tudo de uma hora pra outra, levante a cabeça, olhe ao redor e perceba os detalhes que fazem da sua vida, única.

Luciana Barbosa.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Das flores as jabuticabas.



Moro em um apartamento e do lado dele, pela minha área de serviço, tenho a visão de um imenso terreno baldio e encostado nele, uma casa que consegue ficar alheia a qualquer regra de segurança que a sociedade e a violência nos impõem. Por incrível que pareça, árvore sobrevive lá, altiva, sem muros.

E em seu quintal, vejo um pomar sempre em produção. Goiabeiras, caquizeiros, uma mangueira, uma infinidade de ervas para chá e a delicada jabuticabeira.

Nunca havia me chamado atenção o tal pé de Jabuticaba, até chegar a primeira chuva do final de Agosto. Foi chover por uns dois dias e o danado se pintou todo de branco com suas flores em festa.

Aquela visão dos futuros frutos me tocou de uma maneira profunda e delicada.

Alheia às minhas dores, minhas alegrias, minha correria sem fim para lugar nenhum, a jabuticabeira se encheu de flores e beleza, e me fez recordar de uma forma profunda minha infância sem muros e sem tantos fantasmas para combater.

E enquanto meus olhos não se acostumam, aproveito o espetáculo e espero das flores as jabuticabas.



Luciana Barbosa.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Impaciência.



Há dias que ando daquele jeito!
Vontade de sumir...
Vontade de mudar...
Vontade de morrer...
Vontade de voltar.
Nada demais, nada de menos.
Ser humano, impaciente com a mesmice.

Luciana Barbosa.

domingo, 9 de agosto de 2009

Merece ser compartilhado!

Diego não conhecia o mar. O pai, Santiago kovadloff, levou-o para que descobrisse o mar. Viajaram para o sul.
Ele, o mar, estava do outro lado das dunas altas, esperando.
Quando o menino e o pai enfim alcançaram aquelas alturas de areia, depois de muito caminhar, o mar estava na frente de seus olhos. E foi tanta a imensidão do mar, e tanto o seu fulgor, que o menino ficou mudo de beleza.
E quando finalmente conseguiu falar,tremendo, gaguejando, pediu ao pai:
-Me ajuda a Olhar!

Eduardo Galeano.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Cidadão do mundo.



Simão desde criança, sempre fora calado. Gostava de ficar por horas a fio, sentado num galho de uma goiabeira no fundo do quintal. Quando a mãe lhe perguntava o que fazia tanto por lá, mudo e sozinho por tanto tempo, ele respondia com o olhar distante que ficava apenas ouvindo o silêncio. Ela meneava a cabeça, achando seu filho um completo estranho.
Quando cresceu Simão continuou assim, tendo um mundo particular de poucas palavras, poucos amigos e sem nenhuma aventura aparente. Ele era para todos que o cercavam uma incógnita.
O que mais chamava atenção, era que, mesmo depois de formado em computação, ganhando seu dinheiro e tendo liberdade para fazer o que bem entendesse, continuava morando com sua família e passando preciosas horas no mesmo fundo de quintal e no mesmo galho daquela goiabeira tão envelhecida pelo tempo.
Outra mania de Simão era escrever e não pensem que ele usava o seu computador super moderno. Usava uma máquina de escrever, uma Olivetti que seu pai tinha deixado num canto da biblioteca mais como um enfeite, um objeto obsoleto e sem nenhuma utilidade.
O mais impressionante era que ninguém sabia o que possuía aquelas páginas. Ele nunca permitiu nem que sua mãe pudesse ler ou saber o que os escritos diziam.
Outra particularidade interessante de Simão era ele nunca ter saído de sua cidade natal. Desde criança, quando falavam que iam viajar, ele abria o berreiro. Gritava tanto que faltava enlouquecer seus pais. A avó sempre remediava dizendo que deixasse o neto para que lhe fizesse companhia.
Ele no auge de seus trinta e dois anos nunca havia ido á lugar algum, seu mundo e lugar preferido era aquele fundo de quintal.
Até que um dia, sem uma explicação aparente Simão não acordou mais. Foi embora dessa vida sem alarde e da maneira que ele mais sabia, calado.
A mãe, depois de ouvir as explicações médicas, de enterrar o filho, se trancou no quarto de Simão. Sentada numa cadeira foi passando os olhos devagar pelo ambiente tentando aliviar a dor que sentia. Até que parou os olhos numa caixa em cima do guarda roupa.
Com a ajuda do marido a retirou de lá e quando abriu, ela estava cheia de escritos de Simão. Camalhaços e camalhaços de folhas escritas na velha Olivetti.
A mãe abraçou as folhas carinhosamente e durante dias se dedicou a lê-las.
Ali, naquelas páginas Simão descrevia com uma clareza incrível, lugares que nunca esteve, romances que nunca viveu, comidas que nunca provou. Foi aí que sua mãe entendeu tudo.
Ele nunca quis sair de sua cidade, pois não precisava, ele já possuía o mundo todo dentro dele.


Luciana Barbosa.